Vida Saudável

Alimentação e exercício físico na pessoa com Diabetes

Uma alimentação saudável e equilibrada, em combinação com a prática regular de exercício fisico e, em alguns casos, conjugadas com medicação (insulinoterapia e/ou antidiabéticos orais) são parte integrante do tratamento da pessoa com diabetes. Os objetivos primários da terapêutica da diabetes, passam por:

  • Alcançar ou manter um peso adequado;
  • Manter valores desejáveis de glicémia, pressão arterial e um perfil lipídico (colesterol LDL) adequado;
  • Prevenir o desenvolvimento ou evitar a progressão de complicações da diabetes (micro e macrovasculares – retinopatia, neuropatia e nefropatia, doença coronária, doença cerebral, doença arterial dos membros inferiores e hipertensão arterial).

 

O PAPEL DA ALIMENTAÇÃO

A alimentação da pessoa com diabetes deve basear-se numa alimentação saudável, que não deverá diferir grandemente da alimentação recomendada para a população em geral, assentando nos princípios do padrão alimentar mediterrânico. Deve ser variada e equilibrada, atendendo às necessidades nutricionais, hábitos e preferências individuais, garantindo autonomia e sustentabilidade na gestão da diabetes.Em todo o caso, é particularmente importante atentar nos seguintes aspetos:

 

1)      Privilegiar o consumo de hidratos de carbono provenientes de fontes como cereais integrais ou pouco refinados, frutas e leite/iogurtes magros. Existem vários fatores que influenciam a resposta glicémica, como a quantidade de hidratos de carbono presentes na dieta, o seu tipo e o efeito dos tipos de confeção/preparação dos alimentos. Contudo, a quantidade total de hidratos de carbono é o fator preponderante, por esta razão, é importante contabilizar a quantidade deste nutriente na alimentação diária. Este aspeto é particularmente importante em caso de insulinoterapia, em que a quantidade de insulina administrada deve ser ajustada à quantidade de hidratos de carbono ingeridos na refeição e à glicemia pré-prandial.

2)      Limitar o consumo de produtos açucarados e com hidratos de carbono refinados (açúcar, mel, sumos e refrigerantes, bolos, bolachas e cereais açucarados). A ingestão deste tipo de nutriente não deve exceder os 10% do VET.

3)      Garantir um elevado aporte em fibra - Recomenda-se a ingestão de cerca de 14g de fibra por cada 1000 Kcal ingeridas diariamente ou, cerca de 25g diários de fibra para mulheres e 38g para homens. Este nutriente encontra-se em alimentos como frutas, hortícolas, cereais integrais e leguminosas.

4)      Limitar o consumo de alimentos ricos em gordura saturada, hidrogenada

Este tipo de gordura está presente em alimentos como carnes gordas, enchidos, queijos gordos, manteiga, salgados, folhados e produtos de pastelaria.

No total, recomenda-se que a quantidade de ácidos gordos saturados não exceda os 10% do valor energético total (VET) diário e, em caso de dislipidémia (como colesterol LDL ≥100 mg/dL), o consumo deste tipo de gordura não deverá exceder 7% do valor energético total. Por outro lado, recomenda-se a inclusão de alimentos ricos em ácidos gordos insaturados, nomeadamente peixes gordos (como salmão, cavala, atum, sardinha) 2 vezes por semana e, diariamente, frutos oleaginosos, sementes e azeite. A gordura insaturada presente neste tipo de alimentos tem uma ação protetora face a doenças cardiovasculares.

5)      Limitar o consumo de alimentos ricos em sal (sódio) – uma dieta rica em sal, aumenta o risco de desenvolvimento de hipertensão arterial e de outras complicações da diabetes. Com vista à redução do sal adicionado aos alimentos, sugere-se a utilização de sumo de limão, ervas aromáticas e especiarias.

6)       Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas – a recomendação para um adulto saudável é de, no máximo, 1 porção diária de vinho (1 copo de 150 ml) ou cerveja (1 copo de cerca de 1 copo de 330 ml) para mulheres ou o dobro para homens. No caso da pessoa com diabetes, é especialmente importante que as bebidas alcoólicas sejam ingeridas juntamente com alimentos, de modo a minimizar as flutuações na glicémia.

7)       Balanço energético – o controlo do peso é fundamental. Em caso de excesso de peso, recomenda-se a adoção de um estilo de vida que favoreça a perda de peso, de modo a melhorar a resposta metabólica em geral. Estudos demonstram que perdas ponderais de cerca de 5% promovem uma melhor resposta à ação da insulina, com maior controlo da glicémia e reduz o risco de aparecimento de comorbilidades.

 

A IMPORTÂNCIA DO EXERCÍCIO FÍSICO

A par da alimentação, a prática regular de exercício físico é crucial no tratamento da diabetes. De modo a garantir uma prática segura, evitando a ocorrência de hipo/hiperglicémias, o exercício deve ser programado e adaptado à condição física e clínica do indivíduo, incluíndo, sempre que possível, diferentes tipos de estímulos. Importa considerar:

 

1)      Avaliar a glicemia – antes e depois da atividade física. Em determinadas situações poderá ainda ser necessário monitorizar a glicemia durante o exercício.

2)      Planear os momentos de refeição O tipo e quantidades de alimentos, assim como o tempo que antecede o exercício são os principais fatores a ter em conta. É fundamental garantir uma refeição equilibrada e ajustada antes e após a prática de exercício físico. Consoante a duração/intensidade do mesmo, poderá ser necessário incluir uma refeição peri-treino. Este aspeto é especialmente relevante, em caso de terapêutica com insulina ou antidiabéticos orais, especialmente sulfonilureias e/ou que façam exercício de elevada intensidade ou muito prolongado.

3)      O timing e a administração da insulina - A insulina deve ser administrada com a antecedência recomendada pelo médico que acompanha a pessoa com diabetes, podendo ainda haver a necessidade de ajuste da dose a administrar, de modo a precaver possíveis hipoglicemias. Importa ainda evitar que a insulina seja administrada nas partes do corpo que serão mais recrutadas durante o exercício físico. 

4)      Prevenir a desidratação – É necessário garantir uma boa hidratação, através de uma adequada ingestão de água antes, durante e após o exercício. Além disso, devem evitar-se ambientes com temperaturas elevadas que intensificam os mecanismos de sudorese, podendo levar a desidratação. Da mesma forma, em caso de febre, a prática de exercício está contraindicada.

5)       Calçado adequado - Uma vez que as alterações vasculares são comuns na pessoa com diabetes, é ainda crucial garantir o uso de calçado adequado à prática de exercício físico e meias confortáveis (preferencialmente brancas e sem costuras), de modo a permitir detetar possíveis lesões no pé. Esta verificação deverá ser feita cuidadosamente antes e após o exercício.

 

Recomendações gerais de exercício físico

Recomenda-se a realização de, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade física aeróbica moderada, distribuídos por, pelo menos, 3 dias. Este tipo de exercício caracteriza-se por acelerar o ritmo cardíaco e respiratório, com maior dispêndio energético, onde se incluem atividades como: caminhar vigorosamente, correr, nadar, andar de bicicleta, dançar, jogar desportos coletivos, etc. Por outro lado e na ausência de contra-indicações, deverá incluir-se treinos de resistência, pelo menos, 2 vezes por semana.


Consulte aqui mais informação sobre Exercício físico.


Fonte: Holmes Place



Referências Bibliográficas:
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DIAB-1101272-0183 03/2018