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Primeiro estudo nacional de hipoglicemias apresentado em Congresso de Diabetes

Os dados do primeiro estudo de âmbito nacional sobre hipoglicemias foram apresentados no 11.º Congresso Português de Diabetes, que decorreu em Vilamoura, e apontam para a existência de mais episódios do que os esperados.

À margem do evento, um dos membros do grupo que realizou o estudo, João Conceição, explicou que este foi realizado nos serviços de urgência de sete hospitais portugueses e é composto pela análise de 240 episódios de hipoglicemia na diabetes mellitus tipo 2.

“A hipoglicemia não é uma consequência da diabetes, é um evento adverso do tratamento da diabetes com alguns tipos de medicamentos”, explicou aquele endocrinologista.

O estudo HIPOS – ER, apoiado pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia e pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e promovido pela farmacêutica MSD Portugal, permitiu perceber que existem mais episódios de hipoglicemia do que os que inicialmente os investigadores tinham previsto.

“Quando iniciámos o estudo, reparámos que tínhamos muito mais hipoglicemia do que estávamos à espera”, explicou João Conceição, recordando que, no Hospital de Faro, tinham previsto recolher dados de 35 doentes ao longo de um ano e, ao final do primeiro mês, já tinham recolhido dados de dez doentes.

O tratamento da diabetes pretende controlar os níveis de açúcar no sangue do doente, evitando subidas de açúcar, mas a curto prazo, João Conceição conta que é importante evitar descidas excessivas dos níveis de açúcar no sangue porque sendo o açúcar essencial ao funcionamento do cérebro, com níveis abaixo do normal, o cérebro deixa de ter condições para funcionar corretamente.

Se os valores atingirem os 20 miligramas por litro, "o cérebro deixa de funcionar corretamente e começa a haver alteração do estado de consciência, do comportamento; a pessoa pode desmaiar, entrar em coma e até morrer, se a situação não for corrigida”, acrescentou o especialista.

As situações mais dramáticas são raras e a maior parte das hipoglicemias são ligeiras ou moderadas.

O estudo teve como objetivos perceber as causas mais frequentes das hipoglicemias, a adaptação dos doentes aos vários tipos de terapêuticas e saber porque é que às vezes a terapêutica falha ou os doentes não se adaptam bem.

“Hoje em dia vivemos numa situação de recursos exíguos e esses recursos têm de ser rigorosamente alocados mas, para o fazer, é preciso ter informação”, comentou João Conceição.

Fonte: Agência Lusa

DIAB-1101272-0106  10/2017