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Prevenção das doenças cardiovasculares – o que estamos a fazer bem e o que precisamos de fazer mais?

O Dia Mundial do Coração é uma campanha internacional, criada a 29 de setembro de 2000, com o objetivo de consciencializar a opinião pública que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e motivar a população a adotar um estilo de vida saudável. Este ano, o tema da campanha é: Partilha a energia do teu coração. Pequenas mudanças fazem grandes diferenças.

A importância das doenças cardiovasculares é enorme. De um total de mais de 100.000 óbitos, ocorreram cerca de 35.000 mortes por doenças cardiovasculares, das quais se estima que cerca de 20.000 sejam devidas a acidente cerebrovascular e 10.000 a enfarte do miocárdio. No seu conjunto, as doenças cardiovasculares são responsáveis por um terço de toda a mortalidade da população portuguesa.

Pelo menos 80% das mortes prematuras devido às doenças cardiovasculares, podem ser evitadas através do controlo dos quatro principais fatores de risco: tabagismo, alimentação não saudável, falta de exercício físico e abuso do álcool.

A tendência dos últimos anos mostra uma ligeira redução dos acidentes vasculares cerebrais, e uma estabilização do número de enfartes do miocárdio. O controlo dos fatores de risco tem melhorado pouco nos últimos anos, o que se deve em grande medida ao facto das mensagens preventivas, apesar de baseadas em cada vez maior evidência científica, não motivarem suficientemente a maior parte da população.

Neste dia, para comemorar o Dia Mundial do Coração, toda a gente deve aproveitar para caminhar, correr e praticar atividades desportivas. Além de partilhar a energia positiva do seu coração que dá vida ao seu corpo, aproveite para saber mais sobre o impacto das doenças cardiovasculares nas pessoas com diabetes e conheça algumas recomendações do Prof. Doutor Manuel Oliveira Carrageta, Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

 

Qual o impacto das doenças cardiovasculares nas pessoas com diabetes?

As estatísticas mostram claramente que os doentes com diabetes morrem, na sua maioria, numa percentagem superior a 80%, devido a doença cardiovascular. Por isso existe até o conceito que a diabetes é um equivalente de doença cardiovascular. Isto significa que, até prova em contrário, todos os doentes diabéticos têm doença cardiovascular, manifesta ou oculta. Refira-se que a doença coronária nos doentes diabéticos, além de ser mais frequente, é também mais grave e o mesmo se verifica em relação à ocorrência e prognóstico da insuficiência cardíaca.

Quais os sintomas associados às doenças cardiovasculares a que as pessoas com diabetes devem estar atentas?

A doença cardiovascular pode ser silenciosa até fases muito avançadas. Temos que ter presente que metade dos doentes que sofrem um enfarte do miocárdio referem nunca ter tido quaisquer sintomas prévios. O mesmo se pode dizer em relação aos casos de morte súbita que podem ocorrer em pessoas aparentemente saudáveis e sem queixas anteriores. No caso dos doentes diabéticos, esta forma de doença silenciosa ainda é mais frequente devido à desenervação autonómica das fibras nervosas do coração, ou seja, perda de sensibilidade à dor no coração. Os principais sintomas dependem da patologia, mas quando existem são: cansaço, dor no peito (muitas vezes desencadeada pelo esforço), palpitações, tonturas e edema (retenção de líquidos) dos tornozelos e pés.

 

Quais os fatores de risco para o desenvolvimento destas doenças em pessoas com diabetes?

Os doentes com diabetes têm uma grande carga de fatores de risco aterogénicos, incluindo hipertensão arterial, alterações lipídicas, obesidade, hiperglicemia, perturbações da coagulação e outros fatores trombóticos. São bem conhecidos os riscos da tríade lipídica, com colesterol das HDL baixo, colesterol das LDL rico em partículas pequenas e densas e triglicéridos elevados.

A adoção de um estilo de vida saudável e o controlo de todos os fatores de risco é fundamental para a prevenção das complicações cardiovasculares.

 

A Diabetes é uma doença que continua em expansão, afetando cerca de 13,3% dos adultos portugueses com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, sendo que muitos destes continuam por diagnosticar. Apesar de toda a informação disponível sobre a doença, o que falta, na sua opinião, para diminuir a taxa de pessoas com diabetes em Portugal?

A diabetes é aquilo que podemos designar como uma doença civilizacional, estando muito dependente do estilo de vida e do envelhecimento, dois fenómenos que ocorrem marcadamente em Portugal.

Não podemos perder de vista que a prevalência dos fatores de risco é, em grande medida, de causas ambientais que vão condicionar significativamente o estilo de vida. A urbanização crescente da nossa sociedade e o estilo de vida, em que predomina o sedentarismo e uma alimentação demasiado rica em calorias e gordura animal, são os principais responsáveis pelas epidemias de obesidade e diabetes. É preciso reconhecer que a epidemia da diabetes foi e está a ser precedida por uma epidemia de obesidade e a sua versão de síndrome metabólica, que não foram adequadamente combatidas e têm vindo a aumentar. Basta pensar na obesidade infantil que continua a aumentar no País.

 

Qual a importância do exercício físico e da alimentação na diabetes?

A alimentação e o exercício físico são fundamentais para a prevenção e controlo da diabetes. Como opção alimentar, devemos adotar a dieta mediterrânica, que tem vários estudos que documentam o seu efeito preventivo da síndrome metabólica e da diabetes. Por isso faz sentido a insistência da Fundação Portuguesa de Cardiologia nas virtudes daquela dieta, que faz parte da nossa herança cultural.

Igualmente fundamental é o exercício físico diário (basta meia hora por dia, cinco dias por semana) para se obterem benefícios metabólicos e cardiovasculares, que estão bem comprovados em diversos estudos científicos.

Qual o papel da informação e da educação no controlo da diabetes?

Sendo uma doença eminentemente civilizacional, as medidas contra esta doença, que resulta essencialmente de hábitos de estilo de vida errados, têm de passar necessariamente por mudanças na nossa maneira de viver. Nomeadamente, a educação escolar deve dar maior relevo ao ensino de estilos de vida saudáveis e a problemas como a diabetes, o colesterol elevado, obesidade e hipertensão, que no nosso país, pela grande frequência das complicações que originam, tem uma enorme importância no sofrimento e redução da esperança de vida da população.

 

Conheça as atividades da Fundação Portuguesa de Cardiologia para o Dia Mundial do Coração aqui.

 

DIAB-1101272-0105 10/2017